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Como funciona a psicoterapia infantil?

Coluna Psicologia Infantil em 09/08/2015 23:26:13

Como funciona a psicoterapia infantil?

 

A necessidade de ajuda psicológica surge por diversos fatores. Desde questões médicas onde existam patologias cujo fundo seja emocional, atrasos no desenvolvimento cognitivo, psicomotor ou de aprendizagem, encaminhamentos via colégio, e por vezes pela própria observação da família, que reconhece que algo de estranho acomete o infante. Alterações bruscas no comportamento, isolamento, agressividade, choro fácil, perda do interesse em brincar também são sinais de que algo não vai bem. 

Analisar possíveis perdas, separações, mudanças repentinas por vezes ajudam a identificar o núcleo da questão que a incomoda. Temos que levar em consideração no fato de o infante não ter maturidade cognitiva para compreender muitos acontecimentos ao seu redor. E justamente pelo fato deste não participar de decisões em comum, acaba por receber informações e não ser ouvido sobre o que sente. A duração e a intensidade dos sintomas são fatores importantes também para avaliar se o problema está evoluindo ou estabilizado.

Iniciamos o processo com uma anamnese, ou entrevista psicológica, geralmente com pais ou responsáveis, afim de coletar informações precisas e expectativas da família, do colégio, do menor, etc.

Após o contato familiar iniciamos o acolhimento ao infante. Com crianças utilizamos instrumentos de ludoterapia, como jogos, desenhos, teatros, chamados pelos psicólogos de hora do jogo diagnóstica. Através das atividades lúdicas é possível avaliar aspectos psicológicos, como respeito a figuras de autoridade, tolerância à frustração, análise da estrutura familiar, como o menor percebe a dinâmica familiar, etc. A atividade lúdica, desenvolvida através do brincar traduz uma forma de expressão própria, assim como a linguagem verbal é para o adulto, Woscoboinik (1981) apud Ocampo (1995). O brincar é um espaço importante para a criança, ao mesmo tempo que nos proporciona importantes dados acerca da queixa principal.

Cada hora de jogo diagnóstica significa uma experiência nova, tanto para o entrevistador como para o entrevistado, ou seja, psicólogo e paciente. Implica o estabelecimento de um vínculo transferencial breve, cujo objetivo é o conhecimento e a compreensão da criança. Nela serão observados e analisados os seguintes indicadores: escolha de brinquedos e de brincadeiras, modalidades de brincadeiras, personificação, motricidade, criatividade, capacidade simbólica, tolerância à frustração e adequação à realidade.

As sessões psicoterápicas podem durar até 50 minutos, e pede-se frequência semanal até que o vínculo esteja estabelecido e que já se tenha uma clareza acerca da demanda.

É importante que a criança identifique o que acontece com ela e aceite a psicoterapia, pois trabalhamos com a fala. Logo, quanto mais o paciente se expõe, maior nossa leitura e interpretação. Através da atividade lúdica a criança fornece importantes conteúdos sem sentir se pressionada.


A família participa da terapia quando chamada e deve acolher as orientações do psicoterapeuta. Lembrando que o diálogo é de suma importância para a criança. É preciso que a criança compreenda os porquês. Existem adultos que consideram desnecessário que a criança saiba sobre o contexto em que vive, porém quando se consegue explicar para a criança o que ocorre ao seu redor, no linguajar adequado a idade da mesma, deixamos o menor mais maduro, pois trabalhamos a questão da compreensão da realidade com este. Vale a pena tentar! 

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