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Como lidar com crianças birrentas

Coluna Psicologia Infantil em 15/07/2015 22:07:23

Hoje vamos falar sobre um assunto que incomoda a todos: Crianças birrentas. Constrange os pais, que em tempos de lei da palmada não sabem como agir. Constrange quem assiste às cenas, professores, amigos em geral e familiares.

Entendemos por criança birrenta a criança que perde o controle do ponto de vista físico e emocional quando não tem suas necessidades atendidas de imediato. Muitas vezes os pais reforçam este tipo de comportamento por atenderem sempre às necessidades dos pequenos. Pense comigo que o problema não é você dar tudo de bom aos seus herdeiros se você pode, mas sim que ele entenda o significado, a necessidade real do que ele quer. E mais além, o valor monetário do quanto a família tem que se sacrificar para tal, bem como a data em que a criança costuma ser presenteada.

Quando presenteamos frequentemente, a criança associa automaticamente que ela sempre ganhará algo. O problema é quando você não puder mais fazer isso. A cobrança virá. Bacana é dar presentes em datas comemorativas, estipular mesadas e assim incentivar seu filho e lidar com a economia doméstica desde pequeno, inclusive usar o valor que ele juntou e completar para comprar o objeto tanto desejado. Assim seu filho verá que descapitalizou e perceberá conforme sua idade se ele realmente quer tal objeto.

Crianças sempre pedirão o que veem nos colegas, nas propagandas e nos apelos em geral. Nós, pais, é quem temos que saber como lidar com esses pedidos.

Tem crianças que emburram, choram, até os casos mais extremos, onde a criança se bate, ameaça, arremessa objetos e se joga no chão. É aí que você precisa ter jogo de cintura, pois se para evitar constrangimentos você atende as necessidades do seu filho, ele compreenderá que toda vez que ele agir assim você o atenderá. O que chamamos em psicologia de reforço negativo. Quando seu filho percebe que não te manipula, ele tem que ativar outros mecanismos de sedução. Desde mecanismos funcionais até os inadequados. Você pode e deve elogiar quando ele merecer, porém permutas por presentes por ser educado ou por notas boas também não são um bom negócio, pois o mesmo estudará pensando em ganhar algo, por exemplo, quando na verdade ele tem que estudar porque é um estudante e á essa a função dele no momento. E tem que ser bem feita independentemente de haver algo de bom em troca ou não.

Mas como devemos agir em situações extremas?

1. Mantenha-se calmo: O imaturo aqui é o seu filho, não você. Gritar e desesperar-se não funcionará. É importante você saber que seu filho não está manipulando você o tempo todo, mas ele ainda está aprendendo como funcionam as coisas, então ele irá se frustrar ao ouvir um não, mas é importante você explicar a ele o porquê naquele momento em vez de soltar um clássico não. A explicação o ajudará a evoluir de maneira mais madura.

2. Atenda às necessidades básicas do seu filho: Tenha certeza que o mesmo está alimentado, sem sede, limpo, sem fraldas sujas ou sono. Sabemos que crianças incomodadas tendem a ficar mais agitadas.

3. Não julgue o comportamento do seu filho se você estiver em um ambiente não adequado para a idade dele: Concertos musicais, restaurantes finos com ambiente executivo não são ambientes adequados para um pequeno brincar e correr, por exemplo. Então, se você tiver que ir a um desses locais  seja paciente. Eles têm energia para gastar e são crianças. Não vão ficar mudos e sentados horas a fio. Dê preferência a locais com estrutura. Hoje em dia existem excelentes opções. 

4. Diálogo: Converse e explique. Antes combine com seu filho sobre o que você espera sobre o comportamento dele, inclusive punições caso os comportamentos não sejam os esperados. Depois da conversa retifique perguntado a ele: - Você entendeu o que foi combinado? O que vai acontecer se você não respeitar? E faça. Quando você ameaça e não cumpre ele entende na hora. E vai continuar fazendo.

5. Certifique-se de não punir a si mesmo. Tem certas punições que afetam a família toda. Ex: Ir embora da festa que vocês estão curtindo. Pune a família toda por causa de um. Faça punições que atinja somente quem quebra o combinado, se possível.

6. Tire objetos de grande estima. Um brinquedo que a criança goste muito, um passeio que ele estava esperando e por aí vai. E não esqueça de estipular já nos combinados por quanto tempo a criança ficará sem aquilo. Aumente ou diminua conforme as evoluções ou novas quebras de combinados.

7. Violência gera violência. Diálogo é sempre a melhor opção.

8. É logico que nós como pais ficamos chateados em ver nossos filhos tristes, porém é importante saber que não teremos controle sobre os nãos que eles ouvirão durante a vida deles, portanto senão o fizermos, alguém de fora virá e o fará. E eles não poderão se jogar no chão, xingar, nem pedirão a demissão toda vez que forem criticados. Saber ouvir não faz parte. Todos têm que aprender a lidar com frustrações.

9. Garanta que seu filho não se machuque caso esteja se batendo, mas depois de contê-lo não o deixe de castigo sem a conversa sobre o que ouve. É importante que ele saiba porque está sendo punido e reconheça. 

10. Não esqueça que a personalidade do seu filho já começa a dar sinais nestes pequenos atos, algumas pessoas são mais geniosas que outras; Alguns lidam tranquilamente com críticas. Certifique-se apenas que a mensagem foi clara. O resto o amadurecimento vai se encarregar de fazer por você. O ser humano cresce na dor. Frustrar seu filho não fará de você um mal pai ou uma má mãe.

11. Por fim, elogie seu filho sempre que ele se comportar bem. Assim você contribui para uma boa auto estima dele. Você clarifica que vê o que a criança faz de bom também, senão o pequeno vai crescer achando que só tem defeitos e muitas vezes fará coisas erradas para chamar atenção, pois quando faz o correto não há reconhecimento. Chamamos isso de reforço positivo. Sempre bem vindo!


Boa sorte à todos!


Dra. Bianca Bortolini Ferreira do Amaral 

CRP_08/10060


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